Qual é o sentido da vida?
Buscamos o álcool para suprir aquilo que não encontramos em nós mesmos.
Bebemos para esquecer as porcarias que fizemos e que presenciamos.
Qual é o sentido desta vida fria, de pessoas mortas, pessoas que, assim como eu, são simplesmente um pedaço de carne, mas que conseguem ser tão insignificantes e patéticamente desmerecedoras que nem se pode traduzir em palavras?
Às vezes, eu me olho no espelho e penso que sou uma pessoa fria, infeliz, apenas mais um dos mortos desta massa que vaga como robôs ou zumbis, eu sei lá…
Eu não sei o que busco, mas busco com afinco.
Não me dou ao luxo de ser feliz com mediocridades.
O que busco é um pouco mais bruto ou talvez mais sutil, tanto quanto o ar. Não se pode pegar o ar, mas ele ainda existe e flui pelos meus pulmões, mas ainda não se pode pegar o ar. Busco nos piores lugares.
Busquei no sexo, mas começo a pensar que sou frígido. O que sinto não passa do fogo do momento, não sinto realmente prazer e, também, nenhum outro sentimento.
Penso em buscar na morte, a morte é algo que muito me atrai.
Eu mal posso esperar para ser o não-ser, mas como ser se, simplesmente, nao é?
Antes eu pensava muito no que falta na humanidade, olhava para as antigas civilizações e refletia para descobrir se foi tudo isso que me tornou assim. Agora mudei, me preocupo em encontrar o que falta em mim, afinal, eu me tornei no que sou, logo, a culpa é minha.
Mas sabe? Não encontrei ainda o que falta em mim… Mas de sobras, ahhhh, é o que mais tem.
Sobra ego. Sobra raiva. Desgosto. Infelicidade. Sobrou o amor, que morreu lentamente.
(Source: cortenebrae)





